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domingo, 11 de janeiro de 2026

DEIXA-ME TE DIZER...


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DEIXA-ME TE DIZER...

            Era um dia comum, daqueles em que o sol se faz parecer mais brilhante e a pele vai sentindo cada vez mais forte o calor. As pessoas vão seguindo sua rotina na corrida do dia a dia de uma cidade grande, sem opção de uma parada para refrescar o corpo suado e cansado. Há que seguir cronogramas, metas, exigências.

Em algumas famílias, tarefas diárias são realizadas pelas mães, pais, filhos...pessoas que se esforçam para que o bem-estar de todos possa ser alcançado. Em outras, mães cansadas se desdobram para que suas famílias possam desfrutar do máximo que conseguem realizar, apesar de suas poucas posses e condições físicas e econômicas...

Trabalhadores se esforçam nas mais diversas profissões, ajudando a mover o país.

Nas estradas de ferro, maquinistas vão levando vagões sobre os trilhos, vagões cheios de cargas preciosas. Uns vão levando minério pelo país afora, outros, levando pessoas...todos passando seu dia ouvindo a cantiga do ferro nos trilhos, conversas, o barulho de pessoas que se esforçam por manter-se em pé enquanto o trem vai fazendo curvas; o grito dos ambulantes que fazem suas ofertas para os passageiros enquanto vigiam o momento da próxima parada e a possível presença de um fiscal que lhe venha tomar mercadorias...

Um maquinista, em especial, nesse dia, chegou ao final de seu turno precisando repensar alguns de seus valores e crenças... Estava acostumado a ouvir histórias de colegas que passaram por situações incríveis e, muitas delas, para ele, eram apenas conversas a que não devia dar crédito, principalmente aquelas que se referiam a ações divinas. Mas, o que ele viveu foi claro o suficiente para que ele entendesse que era hora de se analisar, de repensar sua maneira de ver a vida.

Sua tarefa era conduzir um trem especial – vagões cheios de militares que se dirigiam para suas casas depois de uma longa jornada de serviço. Não era um trem comum, daqueles com paradas obrigatórias em estações determinadas. Era conhecido como ‘O Expresso’ porque só conduzia militares e seguia direto para a última estação da linha. Entre seus ocupantes, uns se espreguiçavam em seus bancos, uns dormiam, outros conversavam, alguns jogavam cartas. Iam descansando e distraindo a mente de alguma forma à espera do ’ponto final’ – a estação central onde desceriam.

Já estavam viajando algum tempo. Algumas estações estavam bem cuidadas, com túneis que, passando por sob os trilhos, ofereciam mais segurança às pessoas que precisavam usar os trens como transporte. Outras estações ainda utilizavam o esquema de cancelas – um sinal audível era transmitido e barras eram movidas para impedir a passagem de pedestres enquanto o trem se aproximava e passava. Numa dessas, ele percebeu – já de longe, ele acionara a buzina, o apito como era chamada – mas ia passar direto; estava em grande velocidade, nada podia fazer para evitar o terrível acidente que estava prestes a acontecer. A ordem dos superiores era clara – se alguém entrasse nos trilhos, à frente do Expresso, o maquinista não podia parar. E ele não parou. Uma menina de uns 14, 15 anos, estava atravessando os trilhos.

Ela não soube dizer se ouviu ou não os avisos, mas entrou nos trilhos para chegar ao outro lado e alcançar a plataforma que pensava ser a que a serviria. E o impossível aos olhos humanos aconteceu. Ela só sabe dizer que, ao entrar nos trilhos, sentiu como que um vento a envolvê-la, e enquanto era colocada a salvo, ouviu alguém que gritava: Meu Deus, é o Expresso! Ainda meio sem entender, percebeu que não estava na plataforma que a permitiria pegar o trem para voltar para casa. Atravessou de volta, e esperou seu trem, pensando no milagre que acabara de viver. Atravessara na frente de um trem veloz e fora carregada para fora dos trilhos sem ver por quem. Algo na sua consciência a alertava de que, apesar dela, de suas limitações, de seus erros, suas fraquezas, seu Deus a livrara. O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra – é promessa do Senhor! E ele a fez cumprir em sua vida.

O maquinista, ao final da linha, procurou saber a notícia – lá na cancela, ele fechara os olhos, atordoado, não querendo ver o trem passar sobre a menina, e seguira sua missão, cheio de dor e aflito por saber que ouviria muitas declarações, muitas falas sobre o acontecido, recriminações talvez ... aflito por ser motivo da morte de uma pessoa, ainda que não por sua própria vontade .... Mas, qual não foi a sua surpresa! Alguns funcionários da ferrovia assistiram a tudo e passaram a mensagem para a estação central. Muita gente foi impactada pelo acontecido, e ele, de modo especial, recebeu a informação.

Para ele, não havia como a menina ter escapado – ele a vira muito de perto e sabia ser impossível alcançar o outro lado a tempo de se livrar. Mas aconteceu – e ele agora reconhecia: nem todas as histórias são narrativas para distrair, amedrontar, ou contar vantagens. Há fatos verídicos, impossíveis aos olhos humanos, mas realizados por aquele que tudo sabe, tudo pode, cumpre suas promessas e tudo faz de acordo com seus santos propósitos.

Ele já ouvira o evangelho, ouvira dos feitos de Jesus, mas ainda não se decidira por seguir a Cristo. Aquele dia o fez repensar suas escolhas – ele agora sabia que Deus realmente existe e age, e deve ser temido e amado. E isso o fez tomar a melhor decisão de sua vida.

 A Palavra de Deus nos ensina, confronta, conforta, consola. E nos faz seguir confiantes.

Lembre-se:

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Salmo 34.7.

Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará. Salmo 37.5 .


Cineide Machado Coelho

edienic@gmail.com




Haja paz em tua vida!

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