DEIXA-ME TE DIZER...
Era um dia comum, daqueles em que o sol se faz parecer mais brilhante e a pele vai sentindo cada vez mais forte o calor. As pessoas vão seguindo sua rotina na corrida do dia a dia de uma cidade grande, sem opção de uma parada para refrescar o corpo suado e cansado. Há que seguir cronogramas, metas, exigências.
Em algumas
famílias, tarefas diárias são realizadas pelas mães, pais, filhos...pessoas que
se esforçam para que o bem-estar de todos possa ser alcançado. Em outras, mães
cansadas se desdobram para que suas famílias possam desfrutar do máximo que
conseguem realizar, apesar de suas poucas posses e condições físicas e
econômicas...
Trabalhadores
se esforçam nas mais diversas profissões, ajudando a mover o país.
Nas estradas
de ferro, maquinistas vão levando vagões sobre os trilhos, vagões cheios de
cargas preciosas. Uns vão levando minério pelo país afora, outros, levando
pessoas...todos passando seu dia ouvindo a cantiga do ferro nos trilhos,
conversas, o barulho de pessoas que se esforçam por manter-se em pé enquanto o
trem vai fazendo curvas; o grito dos ambulantes que fazem suas ofertas para os
passageiros enquanto vigiam o momento da próxima parada e a possível presença
de um fiscal que lhe venha tomar mercadorias...
Um maquinista,
em especial, nesse dia, chegou ao final de seu turno precisando repensar alguns
de seus valores e crenças... Estava acostumado a ouvir histórias de colegas que
passaram por situações incríveis e, muitas delas, para ele, eram apenas
conversas a que não devia dar crédito, principalmente aquelas que se referiam a
ações divinas. Mas, o que ele viveu foi claro o suficiente para que ele
entendesse que era hora de se analisar, de repensar sua maneira de ver a vida.
Sua tarefa era
conduzir um trem especial – vagões cheios de militares que se dirigiam para
suas casas depois de uma longa jornada de serviço. Não era um trem comum, daqueles
com paradas obrigatórias em estações determinadas. Era conhecido como ‘O
Expresso’ porque só conduzia militares e seguia direto para a última estação da
linha. Entre seus ocupantes, uns se espreguiçavam em seus bancos, uns dormiam,
outros conversavam, alguns jogavam cartas. Iam descansando e distraindo a mente
de alguma forma à espera do ’ponto final’ – a estação central onde desceriam.
Já estavam
viajando algum tempo. Algumas estações estavam bem cuidadas, com túneis que,
passando por sob os trilhos, ofereciam mais segurança às pessoas que precisavam
usar os trens como transporte. Outras estações ainda utilizavam o esquema de
cancelas – um sinal audível era transmitido e barras eram movidas para impedir
a passagem de pedestres enquanto o trem se aproximava e passava. Numa dessas,
ele percebeu – já de longe, ele acionara a buzina, o apito como era chamada – mas
ia passar direto; estava em grande velocidade, nada podia fazer para evitar o
terrível acidente que estava prestes a acontecer. A ordem dos superiores era
clara – se alguém entrasse nos trilhos, à frente do Expresso, o maquinista não
podia parar. E ele não parou. Uma menina de uns 14, 15 anos, estava
atravessando os trilhos.
Ela não soube
dizer se ouviu ou não os avisos, mas entrou nos trilhos para chegar ao outro
lado e alcançar a plataforma que pensava ser a que a serviria. E o impossível
aos olhos humanos aconteceu. Ela só sabe dizer que, ao entrar nos trilhos,
sentiu como que um vento a envolvê-la, e enquanto era colocada a salvo, ouviu
alguém que gritava: Meu Deus, é o Expresso! Ainda meio sem entender, percebeu
que não estava na plataforma que a permitiria pegar o trem para voltar para
casa. Atravessou de volta, e esperou seu trem, pensando no milagre que acabara
de viver. Atravessara na frente de um trem veloz e fora carregada para fora dos
trilhos sem ver por quem. Algo na sua consciência a alertava de que, apesar
dela, de suas limitações, de seus erros, suas fraquezas, seu Deus a livrara. O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os
livra – é promessa do Senhor! E ele a fez cumprir em sua vida.
O maquinista,
ao final da linha, procurou saber a notícia – lá na cancela, ele fechara os
olhos, atordoado, não querendo ver o trem passar sobre a menina, e seguira sua
missão, cheio de dor e aflito por saber que ouviria muitas declarações, muitas
falas sobre o acontecido, recriminações talvez ... aflito por ser motivo da
morte de uma pessoa, ainda que não por sua própria vontade .... Mas, qual não
foi a sua surpresa! Alguns funcionários da ferrovia assistiram a tudo e
passaram a mensagem para a estação central. Muita gente foi impactada pelo
acontecido, e ele, de modo especial, recebeu a informação.
Para ele, não
havia como a menina ter escapado – ele a vira muito de perto e sabia ser
impossível alcançar o outro lado a tempo de se livrar. Mas aconteceu – e ele
agora reconhecia: nem todas as histórias são narrativas para distrair,
amedrontar, ou contar vantagens. Há fatos verídicos, impossíveis aos olhos
humanos, mas realizados por aquele que tudo sabe, tudo pode, cumpre suas
promessas e tudo faz de acordo com seus santos propósitos.
Ele já ouvira
o evangelho, ouvira dos feitos de Jesus, mas ainda não se decidira por seguir a
Cristo. Aquele dia o fez repensar suas escolhas – ele agora sabia que Deus
realmente existe e age, e deve ser temido e amado. E isso o fez tomar a melhor
decisão de sua vida.
A Palavra de Deus nos ensina, confronta,
conforta, consola. E nos faz seguir confiantes.
Lembre-se:
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Salmo
34.7.
Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará. Salmo 37.5 .
Cineide Machado Coelho
edienic@gmail.com
