Jesus te Ama...

domingo, 11 de janeiro de 2026

DEIXA-ME TE DIZER (2)

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       Décadas atrás, não havia ENEM. A entrada para a Universidade era algo bem diferente do que temos no século XXI. 

Até 1970, Faculdades escolhiam suas datas para as provas que aplicariam e, muitas, escolhendo os mesmos dias e horas, impossibilitavam ao aluno o concorrer a mais de uma vaga no ensino superior.

Em 1970 houve mudanças especiais no sistema e, com isso, o vestibular se tornou unificado e as pessoas puderam concorrer com a mesma nota a várias instituições. A mudança no sistema possibilitara a alunos do ensino médio, então segundo grau, concorrerem às mesmas vagas, ao mesmo tempo, com as mesmas provas.

Em um subúrbio do Rio de Janeiro, no mês de dezembro, alunos celebravam felizes o fim de mais uma etapa em suas vidas.

O final do ensino médio, nas periferias do grande Rio de Janeiro significava, para muitas famílias, o máximo de instrução que possibilitariam a seus filhos. Faculdades não faziam parte de seus planos. Para muitas, o final de dezembro e início de janeiro significava ver o filho ou filha entrar na fila à espera de uma vaga para trabalhar. Supermercados, lojas, pequenas empresas prestadoras de serviço se viam recebendo inúmeros pedidos, pequenos currículos, e se viam com uma grande oferta de mão de obra inexperiente e de baixo custo a que poderiam explorar. Pais aflitos esperavam ver seus filhos colocados e já contribuindo com a renda da família.

Em uma dessas famílias, o esperado não era diferente. Uma de suas filhas terminara o segundo grau, e as expectativas recaiam sobre as vagas da Casa da Banha (um supermercado) ou de uma grande loja que, geralmente, abrigava os novatos que se formavam, proporcionando-lhes períodos de experiência que, para muitos, se tornaram anos a fio de trabalho.

A família não admitia o fato de a filha sonhar em continuar seus estudos. Isso era como que desprezar as necessidades e possibilidades. Já contavam com a ajuda de uma filha que interrompera o segundo ano do segundo grau para trabalhar. Agora esperavam mais essa ajuda. Mas, dentro do coração da filha, algo maior acontecia. Um desejo muito grande de continuar seus estudos.

Durante os anos de estudo, ela aprendera a enfrentar dificuldades como se fossem algo normal a ser vivido. Geralmente, caminhava seis quilômetros para chegar ao colégio, e mais seis de volta para casa ao final das aulas. Não possuía vários cadernos, como as colegas possuíam. Mas sempre dava um jeito de estudar lendo no caderno de uma colega que era sua companhia diária nas idas e vindas, e que, muito caprichosa, mantinha as matérias, de cada disciplina, organizadas. E dava certo. Sempre conseguia boas notas. Apesar de não gostar de números, conseguiu não ser reprovada nem mesmo na Matemática, o terror do primeiro ano científico. Ao final desse primeiro ano, o Colégio ofereceu uma escolha – quem quisesse sair do científico, que priorizava o ensino das Exatas, poderia optar pelo Clássico, que priorizava pelo ensino de Humanas e línguas estrangeiras. E ela escolheu o Clássico. Terminou seu segundo grau tendo vivido experiências com inglês, francês, espanhol, latim, sociologia, história, filosofia, artes, que mais tarde se mostraram úteis para o seu dia a dia.

Havia uma chama que não se apagara em seu coração e ela resolveu mantê-la acesa. Não por rebeldia – muito de ingenuidade ainda dominava sua mente naquela época – mas por entender que era possível tentar.

Resolvida, mais uma vez contou com sua amiga – iam estudar para o concurso! Elas viviam as mesmas expectativas e iam se ajudar.   Mas algo as impedia: o dinheiro para a inscrição.

Naqueles dias, seu coração já palpitava diferente, e sonhava com um rapaz que a namorava, mas estava longe, viajando pelas trilhas da “estrada amazônica”, vivendo o sonho do pai, por terras no INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Não era o sonho dele, e, lá, ele se lembrara da menina que esperava por ele e estudava dia e noite para as provas. E tomou uma atitude: enviou o dinheiro da inscrição para ela.

Etapa resolvida para ela e sua amiga que também conseguira o dinheiro. Era hora da inscrição.

Na fila, à espera da vez, perceberam algo: o sonho era se inscrever para a vaga da turma de inglês, mas havia cinco filas só para os candidatos às vagas naquela disciplina. Era hora de perceber a realidade – não poderiam concorrer com aquelas pessoas. E tomaram uma decisão: escolher a menor fila. E se inscreveram na turma de espanhol.

Com mais uma etapa resolvida, agora era dedicar-se e esperar o momento do concurso. Porém, mais uma coisa precisava ser resolvida: eram amigas, de fato, mas com crenças diferentes. E se tornou necessária uma escolha – à amiga, devota de Cosme e Damião, ela fez um pedido: não iam pedir a nenhum santo, a ninguém mais, além de Jesus, para que as ajudasse a passar. E assim fizeram. O líder religioso de sua família soube da inscrição e a chamou para um conselho. Disse-lhe, com muita clareza: Soube de sua inscrição para a Universidade Federal. Vou lhe dizer uma coisa: ao sair o resultado, não fique triste, desanimada. Lá não é para qualquer um. Lá é para gênios!

Ela ouviu, mas não desanimou. No porão de sua casa, se reuniam e estudavam. Pouco tempo tiveram, mas muito empenho.

E o dia chegou.

Um dia ensolarado, bem quente como são os dias do calor do Rio de Janeiro. Local das provas: Maracanã. Uma mudança especial no vestibular de 1970 foi o fato de se usar os estádios de futebol como local de provas. Sob sol ou chuva, e sob o olhar vigilante de fiscais, haviam de responder suas questões. E lá estavam elas. Cada uma na arquibancada determinada, felizes e amedrontadas ao mesmo tempo, realizando o tão esperado sonho. E as provas foram entregues. Língua Portuguesa e Latim foram fundamentais nas avaliações da Universidade Estadual e da Federal do Rio de Janeiro. E o Clássico mostrou sua utilidade para elas. Um dicionário de latim nas mãos, um texto de Virgílio para tradução, uma redação, e outras questões a serem respondidas. E terminaram suas provas, e as entregaram aos fiscais. Estava lançada a sorte, como alguns diriam. Era esperar o resultado.

Não demorou muito. Dias depois, pelas sete horas da manhã, no postigo da porta de sua casa, alguém batia e chamava. Era sua amiga, com um jornal nas mãos. Trazia as notas e nomes dos aprovados. Para a turma de espanhol, a Universidade Federal do Rio de Janeiro havia disponibilizado quinze vagas.  Sua amiga era o número dezesseis e o seu número era o dezessete. Não haviam sido classificadas para as vagas disponíveis ..., mas, Deus ouvira suas orações. Não eram gênios, mas eram filhas de um Deus que ama e cuida dos seus. Em uma observação, no final da lista, estava o milagre; o Reitor havia feito exceção para alguns cursos, e entre eles o de espanhol, sendo classificados os 30 primeiros candidatos. Estavam na Universidade Federal do Rio de janeiro! Oh Glória! Era matricular e seguir o curso! E o fizeram! Abençoadas!

Salmo 37.4 e 5 nos diz: ‘Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos de teu coração. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará.’

I Coríntios tem um texto que nos ajuda a compreender essas bençãos, milagres assim.

‘Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.’ 1 Coríntios 1:27-29

 Não se deixe desanimar, observe a realidade, creia em Deus, e siga! Ele sabe seu nome e endereço, e conhece cada detalhe de sua vida. E estará sempre com você.

        Um fraterno abraço.

        Cineide.

edienic@gmail.com 
Haja paz em tua vida!

DEIXA-ME TE DIZER...


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DEIXA-ME TE DIZER...

            Era um dia comum, daqueles em que o sol se faz parecer mais brilhante e a pele vai sentindo cada vez mais forte o calor. As pessoas vão seguindo sua rotina na corrida do dia a dia de uma cidade grande, sem opção de uma parada para refrescar o corpo suado e cansado. Há que seguir cronogramas, metas, exigências.

Em algumas famílias, tarefas diárias são realizadas pelas mães, pais, filhos...pessoas que se esforçam para que o bem-estar de todos possa ser alcançado. Em outras, mães cansadas se desdobram para que suas famílias possam desfrutar do máximo que conseguem realizar, apesar de suas poucas posses e condições físicas e econômicas...

Trabalhadores se esforçam nas mais diversas profissões, ajudando a mover o país.

Nas estradas de ferro, maquinistas vão levando vagões sobre os trilhos, vagões cheios de cargas preciosas. Uns vão levando minério pelo país afora, outros, levando pessoas...todos passando seu dia ouvindo a cantiga do ferro nos trilhos, conversas, o barulho de pessoas que se esforçam por manter-se em pé enquanto o trem vai fazendo curvas; o grito dos ambulantes que fazem suas ofertas para os passageiros enquanto vigiam o momento da próxima parada e a possível presença de um fiscal que lhe venha tomar mercadorias...

Um maquinista, em especial, nesse dia, chegou ao final de seu turno precisando repensar alguns de seus valores e crenças... Estava acostumado a ouvir histórias de colegas que passaram por situações incríveis e, muitas delas, para ele, eram apenas conversas a que não devia dar crédito, principalmente aquelas que se referiam a ações divinas. Mas, o que ele viveu foi claro o suficiente para que ele entendesse que era hora de se analisar, de repensar sua maneira de ver a vida.

Sua tarefa era conduzir um trem especial – vagões cheios de militares que se dirigiam para suas casas depois de uma longa jornada de serviço. Não era um trem comum, daqueles com paradas obrigatórias em estações determinadas. Era conhecido como ‘O Expresso’ porque só conduzia militares e seguia direto para a última estação da linha. Entre seus ocupantes, uns se espreguiçavam em seus bancos, uns dormiam, outros conversavam, alguns jogavam cartas. Iam descansando e distraindo a mente de alguma forma à espera do ’ponto final’ – a estação central onde desceriam.

Já estavam viajando algum tempo. Algumas estações estavam bem cuidadas, com túneis que, passando por sob os trilhos, ofereciam mais segurança às pessoas que precisavam usar os trens como transporte. Outras estações ainda utilizavam o esquema de cancelas – um sinal audível era transmitido e barras eram movidas para impedir a passagem de pedestres enquanto o trem se aproximava e passava. Numa dessas, ele percebeu – já de longe, ele acionara a buzina, o apito como era chamada – mas ia passar direto; estava em grande velocidade, nada podia fazer para evitar o terrível acidente que estava prestes a acontecer. A ordem dos superiores era clara – se alguém entrasse nos trilhos, à frente do Expresso, o maquinista não podia parar. E ele não parou. Uma menina de uns 14, 15 anos, estava atravessando os trilhos.

Ela não soube dizer se ouviu ou não os avisos, mas entrou nos trilhos para chegar ao outro lado e alcançar a plataforma que pensava ser a que a serviria. E o impossível aos olhos humanos aconteceu. Ela só sabe dizer que, ao entrar nos trilhos, sentiu como que um vento a envolvê-la, e enquanto era colocada a salvo, ouviu alguém que gritava: Meu Deus, é o Expresso! Ainda meio sem entender, percebeu que não estava na plataforma que a permitiria pegar o trem para voltar para casa. Atravessou de volta, e esperou seu trem, pensando no milagre que acabara de viver. Atravessara na frente de um trem veloz e fora carregada para fora dos trilhos sem ver por quem. Algo na sua consciência a alertava de que, apesar dela, de suas limitações, de seus erros, suas fraquezas, seu Deus a livrara. O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra – é promessa do Senhor! E ele a fez cumprir em sua vida.

O maquinista, ao final da linha, procurou saber a notícia – lá na cancela, ele fechara os olhos, atordoado, não querendo ver o trem passar sobre a menina, e seguira sua missão, cheio de dor e aflito por saber que ouviria muitas declarações, muitas falas sobre o acontecido, recriminações talvez ... aflito por ser motivo da morte de uma pessoa, ainda que não por sua própria vontade .... Mas, qual não foi a sua surpresa! Alguns funcionários da ferrovia assistiram a tudo e passaram a mensagem para a estação central. Muita gente foi impactada pelo acontecido, e ele, de modo especial, recebeu a informação.

Para ele, não havia como a menina ter escapado – ele a vira muito de perto e sabia ser impossível alcançar o outro lado a tempo de se livrar. Mas aconteceu – e ele agora reconhecia: nem todas as histórias são narrativas para distrair, amedrontar, ou contar vantagens. Há fatos verídicos, impossíveis aos olhos humanos, mas realizados por aquele que tudo sabe, tudo pode, cumpre suas promessas e tudo faz de acordo com seus santos propósitos.

Ele já ouvira o evangelho, ouvira dos feitos de Jesus, mas ainda não se decidira por seguir a Cristo. Aquele dia o fez repensar suas escolhas – ele agora sabia que Deus realmente existe e age, e deve ser temido e amado. E isso o fez tomar a melhor decisão de sua vida.

 A Palavra de Deus nos ensina, confronta, conforta, consola. E nos faz seguir confiantes.

Lembre-se:

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Salmo 34.7.

Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará. Salmo 37.5 .


Cineide Machado Coelho

edienic@gmail.com




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